CORTIÇA-IDEIAS PARA A GLOBALIZAÇÃO


DESCORTIÇAMENTO

IDEIAS PARA APROVEITAR OS NOSSOS RECURSOS NATURAIS DIFERENCIADO-NOS DOS OUTROS POVOS NUM QUADRO DE GLOBALIZAÇÃO



Partindo do pressuposto que os países devem apostar nas suas riquezas, quer sejam naturais ou humanas, serão apresentadas e descritas, de uma forma sumária, duas ideias. Dado que Portugal é um país em que a globalização se evidencia muito, pois somos todos os dias “submergidos” por produtos e serviços oriundos do exterior, a nossa maior vantagem será utilizar as nossas apetências naturais, nomeadamente ao nível do turismo, (ideia sobejamente conhecida e aceite) e dos produtos naturais mais intimamente associados ao nosso país, como por exemplo a cortiça. Basta não esquecer que o pavilhão de Portugal na Feira de Hannover em 2000 elegeu, entre outros materiais, a cortiça, para a sua decoração e como um dos simbolos do nosso país.

CORTIÇA-NOVAS APLICAÇÕES

A cortiça tem um enorme significado na qualificação ecológica, económica e cultural do país. Também a árvore donde é extraida (o Sobreiro - Quercus Suber) tem uma importância vital no ordenamento paisagistico de Portugal estando intimamente associado às nossas lembranças e, em última análise, raízes culturais de determinadas zonas do país. Sabemos também que Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, não se encontrando substituto artificial para um produto natural com as caracteristicas da cortiça – matéria-prima limpa (se forem salvaguardadas todas as questões relacionadas com algumas das fases do processo de cozedura a que a cortiça é sujeita) e totalmente reciclável. Nesta área Portugal possui evidente vantagem competitiva, seja do ponto de vista dos recursos naturais (condições edafo-climáticas), seja do ponto de vista cultural (tradição, saber-fazer, recursos humanos), seja do ponto de vista das indústrias (concentração empresarial e empreendedora, sendo o pais com o maior número de indústrias transformadoras deste produto no mundo inteiro). Acresce ainda que Portugal é importador desta matéria-prima pois a produção nacional não suporta as exigências do mercado. A produção de cortiça não pode baixar para não correr o risco de perder o mercado das rolhas, que é o que lhe acrescenta maior valor em relação aos outros tipos de utilizações. Relativamente às exportações de produtos da cortiça transformada , estas representam aproximadamente 3% do PIB Português.
Assim a cortiça constitui uma matéria prima que podemos classificar como ecológica, preciosa e insubstituivel, que apresenta no entanto a concorrência crescente de outros materiais menos nobres, nomeadamente, o plástico que apresenta a vantagem de ter um preço muito menor e de não ter, proventura, cheiro nem sofrer a açcão de fungos.
Além das aplicações conhecidas ao nível da produção de rolhas e de materiais isolantes, esta matéria-prima tem vindo a ter aplicação crescente na aeronaútica e na indústria militar, podendo também vir a ser utilizada em peças de design, devendo-se criar novos usos fazendo uso das novas tecnologias e dos principios do eco-design. Este material poderá tambem ser conjugado com materiais sintéticos (rubbercork, linólio, artólio, aglomerados e corticite, entre outros) tirando partido da sua textura (lisa, brilhante, rugosa ou baça), fazendo painéis decorativos, arranjos de interiores, cenários para teatro, usando nessas texturas formas geométricas (circulares, rectângulos, quadrados e circulos).
Neste quadro, deveremos promover o desenvolvimento de novas aplicações para o material cortiça, nomeadamente, toda a espécie de artigos decorativos para o lar e escritório, para a decoração de montras, peças de arte e design, só para mencionar algumas das que já foram referidas, não esquecendo que muitas outras poderão ser desenvolvidas bastando para tal fazer uso das características de criatividade e inovação. Inúmeras aplicações poderão surgir se apostarmos no seu desenvolvimento com as ferramentas de eco-design, conjugando e respeitando os principios da ecologia com os da funcionalidade. Todos concordamos que, nos tempos que correm, a sustentabilidade ambiental é uma premissa incontornável, que os paises mais desenvolvidos prosseguem, preservando assim a sua cultura, sem a descaracterizar, e defendendo o mais possivel a saúde pública e o desenvolvimento rural, entrosando e cruzando as mais diversas áreas de especialização.
Esta poderá ser uma oportunidade de negócio que ainda necessita de uma fase exploratória muito cuidada. Por outro lado, o factor internacionalização deverá também ser uma forte aposta no sentido de uma consistente e forte divulgação desta matéria-prima e dos produtos resultantes da sua transformação. Sendo um produto pouco utilizado no exterior, se for bem fundamentada a sua utilidade e, fundamentalmente, as suas características ecológicas (tendo em conta que os diversos países potencialmente clientes e cuidadosamente escolhidos, prossigam uma política de ambiente que eleja os produtos naturais) poderá surgir um novo mercado com um número substancialmente elevado de clientes.
Relativamente aos meios de divulgação, aquele que surge como mais rápido e fácil de utilizar e associado a menores custos, é a Internet. Além de aspectos relacionados com a divulgação pura dos produtos e procura de clientes, poderão ainda ser lançados concursos, em colaboração com as indústrias transformadoras, para o desenvolvimento de novas aplicações desta matéria-prima.